Política

Ao deixar Casa Branca, Trump levou para Flórida documentos secretos sobre segurança nacional

Em junho de 2018, a agência soube pela imprensa que “arquivos presidenciais em texto eram rasgados pelo ex-presidente Trump e que funcionários da Casa Branca tentavam juntá-los novamente”, diz a carta a Maloney

WASHINGTON — Os Arquivos Nacionais dos EUA confirmaram nesta sexta-feira que informações confidenciais estavam entre os documentos que o ex-presidente Donald Trump levou consigo para sua casa na Flórida, já depois de ter deixado a Presidência, em 2021. A agência “identificou nas caixas itens marcados como informações de segurança nacional”, segundo carta postada no site dos Arquivos enviada à deputada democrata Carolyn B. Maloney, presidente da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara, que examina como Trump lidou com o acervo presidencial.

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A agência consultou o Departamento de Justiça a respeito do assunto.

“Como os Arquivos Nacionais identificaram informações classificadas nas caixas (com os documentos entregues), sua equipe entrou em contato com o Departamento de Justiça”, disse a carta, assinada por David S. Ferriero, responsável pela agência.

Em sua carta a Maloney, os Arquivos informaram que a Casa Branca, na época de Trump, não conseguiu entregar registros que incluíam “certos registros de mídia social”.

Ferriero também escreveu que “alguns funcionários da Casa Branca conduziram negócios oficiais usando contas não oficiais de mensagens eletrônicas que não foram copiadas ou encaminhadas para suas contas oficiais de mensagens eletrônicas”. A agência está tentando obter alguns desses arquivos.

Trump tentou suspender a devolução dos registros feitos durante seu governo que estavam em seu poder. Mas, em janeiro, após longas negociações entre seus advogados e os Arquivos, 15 caixas de materiais retiradas da Casa Branca foram enviadas ao órgão. Elas incluíam itens como cartas oficiais, documentos da Casa Branca e presentes considerados acervos presidenciais, propriedade do Estado, e que deveriam estar guardados nos Arquivos.

Em junho de 2018, a agência soube pela imprensa que “arquivos presidenciais em texto eram rasgados pelo ex-presidente Trump e que funcionários da Casa Branca tentavam juntá-los novamente”, diz a carta a Maloney.

A carta acrescenta: “O Gabinete do Conselho da Casa Branca indicou que abordaria o assunto. Após o fim do governo Trump, os Arquivos souberam que registros em papel adicionais que haviam sido rasgados pelo ex-presidente Trump foram incluídos nos registros transferidos para nós. Embora a equipe da Casa Branca durante o governo Trump tenha recuperado e colado alguns deles, vários outros não foram reconstruídos pela Casa Branca“.

PUBLICIDADE Celulares Recentes informações lançam dúvidas sobre como Trump lidava com os arquivos do governo. O jornal “New York Times” informou que, entre os documentos que foram enviados de volta aos Arquivos Nacionais, estavam alguns que os arquivistas acreditam serem confidenciais.

Também foi relatado que um livro programado para ser lançado em outubro por um repórter do “Times” revelou como funcionários da Casa Branca periodicamente descobriam maços de papel impresso entupindo um vaso sanitário, levando-os a acreditar que Trump havia tentado dar descarga neles.

O uso de telefones celulares pelo ex-presidente para realizar negócios oficiais também pode ter levado a grandes lacunas nos registros oficiais da Casa Branca de suas ligações em 6 de janeiro de 2021 , dificultando a investigação da comissão especial da Câmara sobre o motim no Capitólio. Se Trump não preservou os registros de celulares e não os entregou a Arquivo Nacional, isso também pode ser uma violação da lei.

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Maloney havia alertado, em dezembro de 2020, que acreditava que o governo Trump não cumpria a Lei de Registros Presidenciais. Ela escreveu uma carta para Ferriero expressando o que chamou de “graves preocupações” de que o governo poderia “não estar preservando adequadamente os registros e os descartando”.

PUBLICIDADE Semanas depois do motim no Capitólio, em janeiro de 2021 , Maloney solicitou volumosos materiais dos Arquivos Nacionais, incluindo documentos e comunicações — feitos antes, durante e depois do ataque de 6 de janeiro — referentes à contagem de votos eleitorais e manifestações planejadas e violência.

Semana passada, Maloney anunciou o início de uma investigação após relatos no “Washington Post” de que Trump destruía documentos e removia caixas para sua propriedade na Flórida, em vez de entregá-las aos Arquivos.

“Estou profundamente preocupada que esses registros não tenham sido fornecidos aos Arquivos imediatamente no fim do governo Trump, parecendo que foram removidos da Casa Branca em violação da Lei de Registros Presidenciais“, disse Maloney em uma carta, acrescentando que a prática de Trump de rasgar documentos “pode constituir violações graves adicionais” da lei federal.

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