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Abel Resende//
Viol�ncia muda hábito de moradores

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Viol�ncia muda hábito de moradores

Leandro Torres/AAN

No Jardim Santa Terezinha, a viol�ncia obrigou os moradores a protegerem suas casas com grades, arame farpado e cercas elétricas

Moradores do Jardim Santa Terezinha, em Campinas, próximo à região do Itatinga, estão preocupados com os furtos e roubos praticados por bandidos na localidade. Segundo eles, o bairro tem se tornado um ponto constante de assaltos depois que a 3ª Companhia da Polícia Militar mudou sua área de atuação, em junho de 2018, para uma sala improvisada e anexa ao 47º Batalhão, perto do Centro da cidade. Corporação negocia para encontrar nova sede na região. Um comerciante que pediu para não ser identificado tem um mercado na Rua Leôncio Brasileiro, onde a antiga sede policial funcionava. Ele conta que o seu comércio já foi alvo de bandidos em diversas oportunidades em menos de um ano. Uma das tentativas de assalto só não se concretizou porque sua casa fica ao lado da lanchonete. “Eu acordei com o barulho muito alto. Eram 5h e um grupo de adolescentes estava tentando quebrar o cadeado da porta do meu estabelecimento com um alicate de pressão. Acendi a luz da minha casa, eles ficaram com medo e deram no pé”, comentou. Assim como o comerciante, outros moradores do bairro também estão cada vez mais apreensivos. A analista de sistema Veruza Sabino, 47 anos, se mudou para o bairro há quatro meses — tempo mais do que suficiente para que sua casa sofresse uma tentativa de assalto. Depois do episódio, ela e seu marido colocaram cerca elétrica em todo o muro. Veruza contou que, por causa do ocorrido, hoje tem medo de deixar sua filha, de sete anos, sozinha em casa. “A gente que é mãe fica preocupada. Muitas pessoas que moram aqui há mais tempo do que eu me disseram que o bairro era tranquilo, mas que depois que o batalhão foi embora, tudo mudou”, disse. A sensação de insegurança dos moradores também foi presenciada pela reportagem. A aposentada Delfina Tardelli, de 77 anos, chegou a se desesperar quando foi abordada pela equipe do Correio Popular  na calçada de sua casa. “Pensei que vocês fossem me roubar”, justificou. Por causa dos assaltos, ela contou que precisou mudar a rotina. “Eu sou crente e costumava ir na igreja todas as noites. Porém, hoje é impossível fazer isso. Tive que começar a ir de dia por uma questão de segurança”, ressaltou. De acordo com Paulo Duarte, diretor-presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), entidade que representa esse e outros bairros próximos ao Campos Elíseos, o número de ocorrências está aumentando a cada reunião realizada com a população. “É muito importante que a sede da companhia volte para a região para que os moradores voltem a ter uma sensação maior de segurança”, afirmou.  Resposta O Tenente Coronel e comande do 47º Batalhão de Polícia Militar de Campinas, Fernando Fagionato, explicou que a intenção da corporação nunca foi transferir a sede de local. “O local era maravilhoso. O proprietário do imóvel construiu de uma maneira que atendia perfeitamente as nossas demandas estratégicas. O espaço lembrava até um quartel. Foi uma perda muito grande para nós ter que deixá-lo”, comentou.  Segundo Fagionato, a sede era alugada pela polícia. Ele explica que o problema começou depois que o dono do espaço perdeu o terreno por problemas pessoais. “O local acabou sendo leiloado e isso criou um imbróglio jurídico gigantesco para o Estado, que fez com que o contrato não fosse mais renovado”, explica. “Por esse motivo tivemos que improvisar a sede no 47º Batalhão”, complementou. De acordo com o Tenente, a corporação e a Prefeitura de Campinas já estão atrás de uma nova locação na região do Jardim Santa Terezinha. “É de nosso interesse voltar para aquela região”, ressaltou.