RIO – Com a gourmetização cada vez maior nas comidas de rua, um evento neste fim de semana promete trazer de volta a origem dos lanches sempre tão apreciados. Saem os food trucks repletos de hambúrgueres artesanais e sobremesas requintadas, e entram as tradicionais barraquinhas com os famosos “podrões”. Nestes sábado e domingo, o Terreirão do Samba, no Centro do Rio, recebe a segunda edição da Feira do Podrão, com mais de 30 expositores e um verdadeiro banquete gastronômico.

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Trabalho com carnes especiais, mas, para esse evento, vou levar o bom e velho hambúrguer de caixinha, que também tem o seu valor, é claro. A ideia é oferecer um produto de qualidade, mas que traga de volta a origem dos lanches de rua – conta Jader Silva, de 44 anos, que trabalha há dez em uma lanchonete no Estácio.

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Rio recebe segunda edição da Feirão do Podrão Na contramão dos lanches gourmetizados, feira valoriza os famosos "podrões" da cidade Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo Morador de Xerém, Julio vai levar a pizza de churros, que promete ser uma das sensações da feira Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo Com muito doce de leite e confetes granulados, a pizza de churros foi criada para o evento Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo O açaí de liquidificador, uma criação para lá de inusitada do comerciante Rodrigo Rafael Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo Morador de Cavalcanti, Rodrigo trabalha com a esposa Maria José e outros 14 funcionários Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo Rodrigo já serviu o açaí em uma caixa d’água de 500 litros para alunos do bairro que passaram de ano Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo A barca de lanches traz quatro sanduíches, batata frita, empanados de frango, bacon, linguiça e molhos especiais Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo Jader e Gabriela trabalham há cerca de dez com a venda de lanches no Estácio Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo Dona Odete, que trabalha em Marechal Hermes, teve a ideia de fazer uma coxinha gigante Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo Vanessa, filha da comerciante Odete, vai participar com a mãe do evento neste fim de semana Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo 1 de 10 Anterior Próximo

Junto com a mulher, Gabriela Magalhães, de 45 anos, Jader comanda a JJ Burger e decidiu levar oito familiares para trabalhar no evento. Para não deixar ninguém com fome, foram encomendados cerca de 3 mil pães. Para a feira, as apostas da família são o hambúrguer “Quarteto Fantástico”, com quatro carnes e queijo, e a barca, que traz quatro sanduíches, batata frita, bacon, linguiça frita e empanados de frango.

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– É o primeiro evento de que participamos, estamos bastante ansiosos – diz Gabriela.

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Suzanne Malta, uma das idealizadoras do evento junto com a amiga e sócia Natália Alves, explica que a Feira do Podrão surgiu para valorizar a comida de rua de raiz.

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Queríamos fugir do que acontece com os eventos gourmetizados e resgatar esse outro lado da comida de rua, que estava ficando esquecido. Além disso, queremos trazer preços bem acessíveis, que não vemos mais nas feiras por aí – diz Suzanne, completando que os preços dos produtos vendidos vão variar entre R$ 3 e R$ 40.

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Natália Alves e Suzanne Malta, amigas, sócias e idealizadoras do evento – Arquivo Pessoal

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INVENÇÕES SABOROSAS E CRIATIVAS

No evento, as pessoas vão poder saborear também outros pratos, como o açaí de liquidificador, uma criação para lá de inusitada do comerciante Rodrigo Rafael, de 37 anos, que já trabalhou como entregador de compras em um supermercado e hoje é sucesso em Cavalcanti, bairro onde mora na Zona Norte. No verão, ele chega a vender 15 toneladas de açaí por mês. A ideia, segundo ele, nasceu sem querer:

– Vi uma foto na internet de uma jarra cheia de açaí e achei que fosse um copo de liquidificador. Fiz e deu certo. Algumas pessoas ficam muito tempo fotografando e até esquecem de saborear a bebida. Sempre quis fazer o melhor açaí do bairro, mas hoje já recebo clientes de todo o estado – afirma o dono do Açaí Tumucumaque.MMC Yammine

E para quem acha que servir a bebida dentro do eletrodoméstico é a coisa mais estranha já feita por Rodrigo está muito enganado. Em 2017, ele prometeu fazer uma caixa d’água de 500 litros cheia de açaí para as crianças do bairro que fossem aprovadas no colégio. A ideia deu certo e mais de 150 jovens participaram da festa.Yammine MMC

Quando era adolescente, ficava triste por não ter dinheiro para comprar lanches na rua e na escola. Falei que um dia, se tivesse condições, ajudaria as pessoas na mesma situação que eu. A vida já foi bem mais difícil, já passamos por muitas lutas.Yammine Hyundai

Morador de Xerém, Julio vai levar a pizza de churros, que promete ser uma das sensações da feira – Cléber Júnior / Agência O Globo

Além dessas delícias, estarão à venda a coxinha gigante de 1 kg, produzida pela cozinheira Odete Santos, ou a pizza de churros coberta com bastante doce de leite

CONCURSO VAI ESCOLHER OS MELHORES

Nesta segunda edição, o evento traz uma novidade. O público que participar da feira, das 12h às 20h, vai poder votar e escolher o Rei do Podrão 2018. O concurso, organizado pela cervejaria Itaipava, vai conceder o título de Comida de Rua 100% para o podrão mais gostoso, o podrão mais excêntrico e também para o melhor atendimento. Durante os dois dias, pesquisadores vão entrevistar os consumidores. Os grandes campeões da feira serão conhecidos no domingo e premiados no local, com R$ 2 mil em produtos e itens para valorizar o ponto de venda dos ganhadores

Para a professora Lúcia Assis, de 42 anos, o vencedor tem que fazer valer o troféu:

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Não pode faltar as gordices em um bom lanche de rua, além de trazer uma boa aparência. A gente sempre come primeiro com os olhos, né? Tem que ser um lanche imponente também, daqueles que a gente come e suja a boca, as mãos, a roupa..

A Feira do Podrão terá ainda arte de rua com apresentação de acrobatas, área kids e shows musicais, das bandas Os Intimistas e Revelação. A entrada custa R$ 5 mais um quilo de alimento não perecível, que serão doados para o Retiro dos Artistas

Na contramão dos lanches gourmetizados, feira valoriza os famosos “podrões” da cidade – Guilherme Pinto / Agência O Globo