RIO – Fidel Castro saiu de cena aos poucos, traído pela saúde. Em julho de 2006, problemas gastrointestinais forçaram-no a uma cirurgia – e a passar suas funções de comandante supremo das Forças Armadas, secretário-geral do Partido Comunista de Cuba e de presidente do Conselho de Estado (cargo máximo da ilha) ao irmão, Raúl, então ministro da Defesa. A doença nunca foi revelada. Em 2007, enfraquecido, escreveu um artigo no jornal ?Granma? passando o comando a Raúl, confirmado na Presidência dois meses depois.

Veja também Fidel Castro morre aos 90 anos Linha do Tempo: a trajetória de Fidel Castro Fotogaleria Imagens do ex-presidente de Cuba Fidel Castro Líderes mundiais lamentam a morte de Fidel Castro Desde então, deixou de lado o Gabinete, mas não a política.

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Escreveu sobre vários temas para o jornal estatal, e suas opiniões ainda influenciavam o governo. Em 2012, suas aparições, cada vez mais raras, criaram vários rumores sobre seu estado, também cada vez mais frágil.

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Foi, então, a vez de se afastar definitivamente da liderança do Partido Comunista.

O homem que fundou o primeiro Estado comunista no continente americano era filho de um próspero produtor de cana-de-açúcar.

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Angel Castro y Argiz, pai de Fidel, teve dois filhos com sua primeira mulher, e outros cinco com a cozinheira, Lina Ruz González.

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Fidel era uma dessas cinco crianças. Estudou em colégios jesuítas até a faculdade. Em 1945, ingressou na Escola de Direito da Universidade de Havana. E foi no ambiente universitário que sua veia revolucionária começou a pulsar mais fortemente.

Depois de se formar, em 1950, Fidel filiou-se ao Partido do Povo Cubano, os Ortodoxos, pelo qual seria candidato ao Congresso nas eleições marcadas para junho de 1952.

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No entanto, em março daquele ano, o general Fulgencio Batista derrubou o governo do presidente Carlos Prío Socarrás e suspendeu as eleições.

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Quatro dias depois do golpe e dez dias antes de os Estados Unidos reconhecerem oficialmente o novo governo, Fidel foi à Justiça contra Batista, acusando-o de violar a Constituição.

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Os tribunais rejeitaram sua argumentação – e Fidel optou pela luta armada.

Durante um ano, Fidel e 165 seguidores treinaram para tomar La Moncada, em Santiago de Cuba, a segunda maior instalação militar do país.

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O plano consistia em prender os soldados, tomar a estação de rádio da base e lançar um apelo à população para que se juntasse aos rebeldes.

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Em 26 de julho de 1953, o grupo partiu para o ataque. O preço foi alto. Metade dos combatentes de Fidel foi morta. Ele e seu irmão Raúl foram presos e condenados a 15 anos.

Fidel e Raúl partiram exilados para o México, onde continuaram a campanha contra Batista.

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Naquele país, deu-se o primeiro encontro entre os dois personagens revolucionários mais influentes do século XX na América Latina: o próprio Fidel e o argentino Ernesto Che Guevara, que logo se tornaria um dos mais importantes colaboradores do cubano, ao lado de Camilo Cienfuegos.

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Seria também um dos grandes responsáveis pela adesão ao comunismo.

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Ainda no México, o argentino se uniu ao líder cubano e, com um grupo de voluntários, desembarcaram em Cuba em 2 de dezembro de 1956.

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Dos 82 revolucionários que chegaram à ilha, apenas 12 sobreviveram e conseguiram se refugiar nas montanhas de Sierra Maestra.

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Durante 11 dias, os homens que restaram, tiveram que fugir, feridos, exaustos e famintos, das tropas de Batista, até sumirem nas montanhas.

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Diz-se, contudo, que Fidel não desanimou:

– Venceremos esta guerra. Estamos apenas começando a luta.

Até 25 de fevereiro de 1957, prevalecia a versão do governo de que Fidel estava morto.

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Foi então que o ?New York Times? publicou, na primeira página, uma entrevista com o líder cubano. Finalmente, em 29 de dezembro, Che tomou a cidade de Santa Clara. A revolução triunfara. Dois dias depois, Batista fugia do país, enquanto Che e Camilo Cienfuegos levavam os rebeldes para Havana.

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Fidel chegaria à capital uma semana depois.

Isolado pelos EUA, Fidel declarou oficialmente o marxismo-leninismo como base ideológica de seu governo.

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Foi então que Cuba passou a contar com o apoio formal da União Soviética. Os novos parceiros não tardaram a aproveitar a posição estratégica em relação ao território americano.

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Na manhã de 16 de outubro de 1962, uma terça-feira, o presidente John Kennedy convocou uma reunião com seus principais assessores na Casa Branca para mostrar-lhes as bombásticas fotografias aéreas tiradas dois dias antes por um avião-espião U-2.

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Nas fotos, via-se a instalação de mísseis soviéticos de curto e médio alcance na província de San Cristóbal, no Sul de Cuba, a 150 quilômetros da Flórida.

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Começava a Crise dos Mísseis .

Kennedy revelou a crise em cadeia nacional, no dia 22. Seguiram-se intensas negociações e trocas de ameaças entre ele e o dirigente soviético Nikita Kruschev.

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No dia 28, com Cuba cercada pela Marinha americana, Kruschev recuou e ordenou a retirada dos mísseis, com um acordo para que os EUA não invadissem a ilha.

ENCONTRO COM O PAPA, O FIM DE UM TABU

A história da Cuba de Fidel Castro é marcada por outras tantas lutas.

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O país foi isolado na Organização dos Estados Americanos (OEA) até meados dos anos 70. Enviou tropas a países da África, com a notável participação na luta em Angola contra a invasão sul-africana, em 1975.

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E, em 1980, permitiu a emigração de 125 mil cidadãos, a maioria instalada nos EUA. Com o fim da União Soviética, em 1991, Fidel perdeu um de seus maiores apoios, e o embargo americano se fez sentir como nunca.

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Ainda assim, o presidente resistiu, com medidas econômicas especiais, iniciando o chamado período especial.

Em janeiro de 1998, Fidel foi mais uma vez um dos protagonistas de um acontecimento histórico: a visita do Papa João Paulo II à ilha.

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Ao se despedir do Pontífice, que defendera repetidamente o fim do embargo, não se furtando, contudo, de pedir a libertação dos presos políticos cubanos, o presidente cubano afirmou:

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– Creio que nós dois demos um bom exemplo ao mundo.

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O senhor, visitando o que alguns passaram a chamar de último bastião do comunismo. Nós, recebendo o chefe religioso a quem quiseram atribuir a responsabilidade de haver destruído o socialismo na Europa.

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Não faltaram os que pressagiavam acontecimentos apocalípticos. Alguns, inclusive, sonharam com isso.

Desde que se afastou do poder, em 2007, ele fez poucos discursos públicos; optando, na maior parte das vezes, por escrever seus pensamentos e ideias.

Fidel também acompanhou a histórica reaproximação de Cuba com os Estados Unidos, um processo recebido por ele com resistência e ceticismo.

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Em um de seus artigos publicado em janeiro de 2015, ele disse não confiar na política dos EUA.

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