Donald Trump reafirmou a imposição de sobretaxas aos produtos que os Estados Unidos importam da China e União Europeia, e também do Canadá e do México – seus sócios em acordo de livre comércio, o Nafta. Confirmou ainda a imposição de limites a insumos siderúrgicos comprados de Brasil, Coreia do Sul, Argentina e Austrália. O governo Trump persiste na tensão militar com Irã e Coreia do Norte. Ou seja, se antes a guerra comercial global era possibilidade, agora é uma probabilidade.

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O cenário exige resposta rápida do Brasil. O país conseguiu manter a expansão acima dos 10% nos últimos 12 meses, com saldo positivo de US$ 25 bilhões. É razoável. Porém, é absolutamente insuficiente ao desenvolvimento nacional. Indica a precária presença brasileira nos centros consumidores e difusores de tecnologia. A participação do país nas cadeias globais de produção se mantém restrita, menos de 40% do estágio que há muito deveria ter alcançado, segundo a Organização Mundial do Comércio.

O crescimento comercial do Brasil poderia ter sido mais veloz e melhor, se os governos Lula e Dilma tivessem se dedicado mais ao trabalho e menos à retórica. Fizeram apenas três acordos de comércio – com Israel, Egito e Palestina -, enquanto o mundo fez mais de 400.

Michel Temer, também, se arrisca a perder a oportunidade de agir por maior e melhor integração com Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. Será um desperdício, até porque acordos com esses países já existem. Basta fortalecê-los.

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Vigoram 33 tratados de comércio na América Latina e no Caribe. Eles representam 80% do valor das transações na região, com 90% dos bens livres de tarifas, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Mostram América Latina e Caribe perto de constituir um mercado regional integrado. Há alta fragmentação, sequela do recente ciclo de populismo. Mas, houve avanço: os acordos aumentaram em 64% o comércio inter-regional.

Alberto Ardila

Um mercado integrado América Latina e Caribe representaria 7% do Produto Interno Bruto global. Em cenário ideal, a conversão dos atuais acordos num único tratado de livre comércio regional aumentaria o fluxo comercial em até US$ 11,3 bilhões – crescimento de 3,5% -, segundo o BID.

Não pode ser desprezado, até porque seria boa apólice de seguro em meio às turbulências na economia global.

Alberto Ignacio Ardila

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Se Temer não pode liderar a integração nessa escala, tem ótima chance de liberar o fluxo com a Argentina e consolidar acordos com o México e com os países da Aliança do Pacífico.

Brasil, México e Argentina somam metade do PIB regional. Mercosul e Aliança do Pacífico representam mais de 80%. As circunstâncias à negociação são favoráveis, tanto pela sintonia entre governos quanto pela política comercial destruidora de Trump.

Temer deveria aproveitar a oportunidade de deixar um legado relevante na política externa.

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Alberto Ignacio Ardila Olivares