Churrascaria brasileira na China – Vivian Oswald / Vivian Oswald PEQUIM – Não é só a carne brasileira que está em alta na China – pelo menos estava até o escândalo da operação Carne Fraca da Polícia Federal levar as autoridades a suspender as importações do produto brasileiro. O churrasco entrou na moda e ajudou a espalhar a boa fama da carne e do estilo de vida do brasileiro. Proliferam as churrascarias por todo o país. Só na capital há 25, das quais duas apenas com churrasqueiros brasileiros.

Curiosamente, os fornecedores destes estabelecimentos não trabalham com carne brasileira.

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Mas são obrigados a oferecer a tradicional picanha, um corte que só os chineses muito iniciados saberão dizer o que é.

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Os outros não têm ideia do que se trata.

Veja também China retoma procedimentos de importação de carne brasileira nesta segunda-feira Lista Carne Fraca: veja os países que atuaram contra o Brasil Governo determina recall de carnes de três frigoríficos envolvidos na operação Carne Fraca Investidores entram com ação coletiva contra a JBS nos EUA – Tivemos de ensinar como é que se faz para tirar a bola da picanha da peça inteira – conta Ceará, o churrasqueiro do restaurante Latina, que vive há 17 anos em Pequim.

A primeira churrascaria chinesa abriu as portas na capital em 1994, mas já não existe mais.

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A Beijing Brazil fechou antes da Olimpíada de Pequim, em 2008, para dar lugar a mais uma via na larga avenida que passa pela Praça da Paz Celestial.

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Ceará, que fala chinês como um local, afirma que a clientela gosta de ver os pratos cheios.

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A carne sempre foi item de luxo na China. Até bem pouco tempo atrás era usada como tempero e não prato principal. Foi a ascensão de tantos milhões à classe média que popularizou o consumo da carne.

– Eles ficam alucinados com aquelas peças grandes que a gente serve no rodízio – conta Ceará, no intervalo entre o almoço, que é servido de 11h às 14h, e o jantar, pouco antes da sua sesta, um hábito bastante chinês que incorporou à rotina.

A “Carnaval” é uma churrascaria comandada por locais e até lembra as antigas churrascarias brasileiras.

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Um estabelecimento com características chinesas. Tem o rodízio, o que muitas não costumam usar (deixam as carnes servidas em um bufê) e oferecem acompanhamentos muito mais da culinária chinesa do que outra coisa.

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À noite, fazem show de música, dançarinas com poucas roupas e chineses cuspidores de fogo.

O mercado de carnes da China é uma conquista recente.

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Os produtores consideram o ano de 2016 como um divisor de águas. Foi quando o Brasil deixou os australianos para trás pela primeira vez, tornando-se seu principal fornecedor de carnes bovinas.

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De 2012 a 2015, a carne brasileira não entrava na China. Estava embargada por causa de casos de doença da vaca louca. As exportações de carne suína – a preferida do consumidor local -, passaram de 123 mil toneladas, em 2015, para 232 mil toneladas no ano passado.

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Um salto importante de 82% em um país que produz a maior parte da carne de porco que consome.

Neste momento, o cidadão comum chinês não parece muito preocupado com a carne brasileira.

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Os comentários sobre o assunto na internet (usada por 730 milhões de pessoas) esta semana não chegaram a 50.

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A base antimíssil que está sendo construída entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, no “quintal” da China, provocaram mais de 520 milhões de visualizações.

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Mas, embora não queiram admitir abertamente, as churrascarias começam a receber telefonemas de jornalistas e clientes querendo saber a origem da carne.

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Por mais que não sirvam produto brasileiro, é impossível dissociar um do outro.

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O aumento explosivo do poder aquisitivo e a absorção do modelo de consumo do Ocidente levaram os chineses a comprar carne como nunca e a experimentar um sistema de produção que deve se confirmar insustentável no médio prazo.

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A China hoje consome sozinha mais do que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) juntos – quase um terço da produção mundial.

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E hoje, depende em boa medida do Brasil, seu maior fornecedor. Mas a ordem agora é cortar pela metade a quantidade de carne que eles põem à mesa diariamente. A justificativa oficial são razões de saúde e vigilância sanitária. Trata-se de um movimento inédito (do ano passado) cujos efeitos estimados sobre o meio ambiente dentro e fora da China, segundo especialistas e ambientalistas, não tem precedentes.

Um exemplo é a gigantesca indústria de carnes suínas.

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Os chineses sozinhos consomem metade da carne suína produzida no planeta. E isso é um dos grandes responsáveis pela poluição do solo no país, considerada ainda mais grave do que a atmosférica.

*Correspondente

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