17/04/2017 4:30 Olhar para sala de aula Estudo no Ceará mostra que observação e orientação ao trabalho de professores podem melhorar a qualidade do ensino Em 2014, o Banco Mundial divulgou no livro ?Professores Excelentes?, de Barbara Bruns e Javier Luque, um estudo baseado na observação de 15 mil salas de aula em sete países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil. A pesquisa mostrou que professores da região perdiam demasiado tempo de instrução com tarefas como fazer chamada, limpar ou escrever no quadro negro, corrigir deveres ou distribuir trabalhos aos alunos. O estudo identificou também algo peculiar: em algumas situações, havia enorme variância na qualidade do uso do tempo entre professores da mesma escola e que, portanto, davam aulas para os mesmos alunos, em iguais condições de trabalho.

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Sem negar a influência de fatores externos na aprendizagem, esta conclusão sugeria que havia margem para melhorar a aprendizagem se houvesse mais troca e suporte ao trabalho dos docentes.

O trabalho inspirou um projeto que teve início em 2015 em escolas públicas de ensino médio do Ceará, com apoio da Fundação Lemann e da consultoria Elos Educacional.

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Dois grupos de escolas foram selecionados aleatoriamente para fazerem parte de uma avaliação conduzida por Barbara Bruns, Leandro Costa e Nina Cunha, pesquisadores, respectivamente, do Center for Global Development, do Banco Mundial, e da Universidade Stanford.

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Um grupo de estabelecimentos foi sorteado e recebeu treinamento sobre como realizar práticas de observação de sala de aula, com o objetivo de dar um retorno do trabalho aos professores e promover maior interação entre os profissionais da escola.

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O conteúdo do treinamento era também inspirado em técnicas de sala de aula de bons professores descritas nos livros do educador americano Doug Lemov (um deles traduzido no Brasil com o título ?Aula Nota Dez?).

Ao comparar o resultado de escolas que participaram do treinamento com o daquelas que, de forma aleatória, não tiveram acesso ao programa, os pesquisadores identificaram que professores das escolas beneficiadas aumentaram em 10% o tempo de aula efetivamente dedicado a ensinar, passaram a usar métodos mais interativos com alunos, e mantiveram um número maior de estudantes engajados na aula por mais tempo.

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Houve ganhos também ? porém mais modestos ? identificados em resultados de aprendizagem dos alunos medidos pelo Enem e pelo sistema de avaliação local.

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Em escolas onde os coordenadores pedagógicos, pelos critérios da pesquisa, foram considerados melhores, os ganhos de aprendizagem foram mais significativos.

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Para os autores, os resultados são promissores, considerando o baixo custo de implementação do projeto, já que a maior parte do treinamento foi à distância.

A ideia de que o trabalho do professor em sala de aula pode ser observado e avaliado ? mesmo que seja pelo diretor ou coordenador pedagógico da escola ? encontra resistência em educadores brasileiros.

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A crítica mais comum é de que tal prática fere a autonomia docente, ou de que seria apenas um pretexto para vigiar e punir, colocando a culpa pelo fracasso do estudante nos ombros dos professores.

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O que alguns veem como vigilância e controle, porém, pode ser encarado como apoio e suporte. A chave para isso é, como sempre, a construção de relações de confiança entre os profissionais da escola, com foco em quem mais importa no processo educativo: o aluno.

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