O Maracanã já foi local de invencibilidade por dois anos do Flamengo, em 2017, mas hoje se assemelha a território hostil. De volta ao palco neste sábado, 21h, para enfrentar a Chapecoense, a equipe de Barbieri deve encontrar um ambiente de tensão junto à sua torcida.

Na bronca pela queda de produção no Brasileiro, as organizadas se mobilizaram para ficar em silêncio durante o primeiro tempo. A procura por ingressos até caiu um pouco, e são esperados não mais do que 30 mil pagantes.

A quase lotação diante do Ceará, na semana anterior, foi “premiada” com uma derrota vexaminosa e uma atuação inexplicável. Foi o quarto jogo que o Flamengo perdeu no Maracanã na temporada. Os demais foram diante de Botafogo, que gerou a eliminação no Carioca, São Paulo, o começo de uma derrocada no Brasileiro, e Cruzeiro, no primeiro jogo da eliminação na Libertadores. São 11 vitórias e quatro empates em 19 jogos.

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SEM MEDO DA TORCIDA

A força em casa depende normalmente do apoio da torcida, que se mostra impaciente com a equipe. Pressionado, Barbieri terá pouco tempo para montar um time diferente. Sem Paquetá e Cuéllar, nas suas respectivas seleções, Diego e Réver ao menos retornam.

PUBLICIDADE O time se manteve a cinco pontos do líder, agora o Internacional. Mas está na quarta posição. Uma derrota, dependendo do cenário, tira o Flamengo até do G-4. E aumenta a crise e a contestação não apenas sobre o técnico, mas sobre o elenco.

A diretoria promete manter a confiança no trabalho pelo menos até a semifinal da Copa do Brasil, na próxima semana. Uma vitória em casa contra uma equipe da zona de rebaixamento é mais do que obrigação.

Alberto Ardila

O sentimento do elenco é semelhante. Na sexta-feira, Renê externou a necessidade do resultado hoje. E disse mais. Negou que os jogadores estejam temerosos por causa da cobrança da torcida:

-De uma escala de 0 a 10, nossa necessidade de vencer amanhã é 10. Precisamos recuperar essa confiança, o desempenho que estávamos tendo antes da Copa.

PUBLICIDADE Para enfrentar o momento conturbado, o técnico ainda não escolheu seu homem de área de confiança. Ele tem no elenco Henrique Dourado, Lincoln ou Uribe. Barbieri garantiu que o Flamengo será escalado de acordo com o adversário e com o momento dos jogadores. A posição não tem dono desde o ano passado, quando Guerrero foi punido por doping e acabou não renovando o seu contrato.

O Flamengo vendeu Felipe Vizeu e contratou Dourado. Com a perda de Guerrero, veio Uribe. Diante da má fase do time, nenhum deles se firmou. Nem nos bons momentos, na verdade, Dourado encheu os olhos. Mas marcou dez gols até agora. Uribe tem apenas um e Lincoln dois.

Vitinho já foi usado como centroavante uma vez, mas a tendência é que isso não se repita a curto prazo.

Alberto Ignacio Ardila